A PRATICAGEM

História da Praticagem no Brasil

1808
Com a rubrica do Príncipe Regente D. João VI, entrou em vigor o Regimento para os Pilotos Práticos da Barra do Porto da Cidade do Rio de Janeiro, assinado pelo Visconde de Anadia, Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos. Foram implantados os primeiros Serviços de Praticagem organizados no Brasil, que apresentavam características que são preservadas até os dias atuais. Foi definida nítida vinculação dos Serviços de Praticagem com a livre circulação de mercadorias, através da Segurança da Navegação em águas restritas. Decorrente da necessidade gerada pela Abertura dos Portos, outorgada por Carta Régia de 28 de janeiro de 1808, foi reconhecida a demanda de “Pilotos Práticos desta Barra, capazes e com suficientes conhecimentos, que possam merecer a confiança dos Comandantes ou Mestres das embarcações que entrarem ou saírem deste Porto”.

1889
Instituído Decreto que definia uma concepção abrangente e detalhada dos Serviços de Praticagem. Justifica a emissão deste Decreto, a importância dedicada ao assunto pelo Governo provisório, confirmando os pressupostos do Decreto de 1808, a vinculação da livre circulação das mercadorias com a competência do Estado para garantir a Segurança da Navegação em águas restritas, através da contribuição imprescindível dos serviços de Praticagem. É esta perspectiva que valoriza, nos seus devidos contornos, a vinculação dos Serviços de Praticagem com a Autoridade Marítima.

1926
Aprovado Decreto que reforça a subordinação dos Serviços de Praticagem à Autoridade Marítima, determinando que sejam executados em cada localidade de acordo com regulamentação própria estabelecida pela Diretoria de Portos e Costas.

1940
Um novo Regulamento para as Capitanias dos Portos inclui toda a regulamentação dos Serviços de Praticagem, ao mesmo tempo em que dissolve as Associações de Práticos e cria as Corporações de Práticos, determinando que sua administração seja exercida por um Prático-Mor, um Prático Ajudante e um Tesoureiro, eleitos em reunião convocada e presidida pelo Capitão dos Portos, devendo seus atos serem sempre submetidos à aprovação do referido Capitão dos Portos. Classificados os Serviços de Praticagem como organizações de utilidade pública, de interesse da Segurança Nacional e da alçada do Ministério da Marinha, fica estabelecido que as Corporações de Práticos são subordinadas, técnica e administrativamente às respectivas Capitanias dos Portos.

1959
Fica evidente a preocupação da Autoridade Marítima em dotar as Entidades de Praticagem com os recursos suficientes para que os Serviços de Praticagem fossem executados segundo parâmetros e desempenho que atendessem às necessidades da Segurança da Navegação.

1961
Os Serviços de Praticagem passam a ser definidos no sentido estrito de ser o conjunto de atividades profissionais exercidas pelos Práticos, abandonando-se a ampla definição dos recursos humanos e materiais necessários para apoio da execução dessas atividades profissionais. Foram emitidas regras sobre administração dos recursos materiais e financeiros das Corporações, o que caracterizou a implantação da autogestão dos Práticos sobre as próprias infra-estruturas de Praticagem.

1986
O Regulamento mantém a vinculação com a Autoridade Marítima, com as seguintes finalidades: fiscalização dos aspectos técnicos e profissionais do exercício da profissão; requisição de Práticos para atenderem às atividades de busca e salvamento marítimo; e cumprir rodízio de trabalho aprovado pelo Capitão dos Portos. Quanto a última finalidade, esta é a primeira vez em que tal dispositivo aparece na regulamentação dos Serviços de Praticagem. Admite, explicitamente, que os Práticos devem exercer a profissão através de uma Entidade de Praticagem “a fim de que seja assegurada a Praticagem, ininterruptamente a todos os navios, independentemente de tipo e porte bruto”.

1991
Na vigência da autogestão dos Práticos, a Autoridade Marítima deixou de participar na administração da entidades de Praticagem. Este posicionamento da Autoridade Marítima não resultou em solução de continuidade para a infra-estrutura dos Serviços de Praticagem, cuja gestão desde 1959, vem sendo exercida exclusivamente pelos Práticos, sem que tenha sido regulamentada.

1997-LESTA
Dispõe sobre a Segurança do Tráfego Aquaviário em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências. A citada Lei apresenta um Capítulo específico sobre o Serviço de Praticagem definindo-o, textualmente, como de assessoria, balizando nitidamente o relacionamento Prático-Comandante do navio, resguardando ao último suas prerrogativas indissociáveis, sua autoridade e responsabilidades; impõe requisitos para formação dos Práticos, mediante exame e estágio de qualificação, limitando a sua inscrição em apenas uma ZP; condiciona a manutenção da habilitação do Prático à execução de um número mínimo de manobras e assegura a todo Prático o livre exercício do serviço. Classifica o Serviço da Praticagem como atividade essencial, impõe que esteja permanentemente disponível e estipula as formas de intervenção da Autoridade Marítima, que poderá estabelecer o número de Práticos para cada ZP, fixar o preço do serviço e requisitar o serviço de Práticos. Em função dessa essencialidade do serviço, obriga o Prático a atender o serviço sob pena de suspensão ou cancelamento de seu certificado de habilitação.

1998-RLESTA
Regulamenta a LESTA. No capítulo referente ao Serviço de Praticagem define a sua constituição, englobando o Prático, a lancha de prático e a atalaia. A remuneração do serviço abrange o emprego desses três elementos, devendo o preço ser livremente negociado entre as partes interessadas, seja para conjunto ou para cada elemento separadamente; na inexistência de acordo, a Autoridade Marítima fixará o preço, garantindo-se a disponibilidade da prestação do serviço.

2000–NORMAM 12
Norma da Autoridade Marítima para o Serviço de Praticagem. Tem como propósito estabelecer diretrizes para o serviço de praticagem em águas jurisdicionais brasileira (AJB). Compete ao Diretor de Portos e Costas (DPC), como Representante Nacional da Autoridade Marítima, regulamentar o Serviço de Praticagem, estabelecer as Zonas de Praticagem (ZP) em que a utilização do serviço é obrigatória ou facultativa e especificar as embarcações dispensadas do serviço. Fonte: Site CONAPRA - www.praticagemdobrasil.org.br

História da Praticagem no Mundo

As águas sempre fizeram parte da história do homem. Mesmo habitando em terra firme, os mares, oceanos, rios e lagos sempre foram motivo de contemplação e também de evolução das civilizações. Em um planeta coberto em 71% de sua superfície por água, foi natural o surgimento – e crescimento – de grandes povos às margens de rios e mares.

Em regiões como a antiga Mesopotâmia (palavra grega que significa ‘entre rios’, referindo-se ao Tigre e ao Eufrates), há mais de cinco mil anos floresceram, entre outros povos, os egípcios, babilônios e sumérios. Suas vidas e economias eram pautadas pelo comércio marítimo, assim como os gregos, que navegavam – e conheciam muito bem – todo o Mar Mediterrâneo.

Em todas as épocas, nações viram os mares como oportunidade e se lançaram a eles na expectativa de conquistar novos continentes e comercializar seus produtos, em busca do poder marítimo. E para garantir a chegada a bom porto, assim como a segurança de suas mercadorias, muitas embarcações levavam práticos em suas viagens.

Há quatro mil anos os fenícios já demonstravam preocupação em ter a figura do prático em cada embarcação. Há registros da existência dos Práticos de Ur (cidade da Caldéia), da época do personagem bíblico Abraão da Caldéia, região de grande porto marítimo do Império. Os gregos, por sua vez, extremamente desenvolvidos nas artes de bem navegar, estabeleceram códigos luminosos em terra e nos navios para facilitar o trabalho de praticagem. A cidade de Atenas, por exemplo, possuía um grande porto com entreposto para mercadorias e armazéns para estocagem.

Assim, deve-se aos práticos da antiguidade o desenvolvimento de molhes de proteção às bacias de manobras nos portos. A eles também é atribuída a utilização do cais para atracar os navios de forma a que eles não encalhassem na praia para desembarcar pessoas e mercadorias. A Praticagem, em 1514, era tão organizada na Grã-Bretanha, que tornou-se modelo para as outras praticagens do mundo. No século XIX, os países marítimos tornaram obrigatória a Praticagem objetivando a segurança da navegação e a proteção da vida humana no mar. Por ser uma profissão tão antiga, que se mistura com a história da humanidade, podemos perguntar: quem surgiu primeiro, o prático ou a praticagem?

O Piloto marítimo, como é denominado na Inglaterra, na Alemanha e em outros países, é aquele que regula a direção de um navio, que dirige uma embarcação mercante. É um profissional com formação técnica e profundos conhecimentos do tráfego local, perigos, correntes marítimas, regime de ventos, mares, arquitetura naval e manobra de navios. Com seu conhecimento, vai a bordo e assessora profissionalmente os Comandantes na condução de seus navios, preocupando-se sobretudo com a segurança da navegação, da vida, do patrimônio público e privado ao longo das margens e da preservação do meio ambiente. Fonte: Dragão do Mar - http: www.dragaodomar.org